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Boaventura Santos, em seu livro “Crítica da razão indolente: contra o desperdício da experiência”, cita o filósofo grego Epicarmo: “esses mortais tinham que ter pensamentos mortais e não imortais” para marcar a rixa com a metafísica escolástica, presentificando o objeto da sociologia e das demais
ciências humanas\sociais como aquelas que tratam dos fenômenos que não pairam sob o tempo (aqui como somos bons hegelianos, o tempo histórico baliza nossas apreensões).

Se pensarmos a transcendência da arte pelos artistas, poderíamos dizer que há um fio absoluto nas vertentes filosóficas que constituíram a estética, mas o que os teóricos não sabem é que os artistas buscam a imortalidade em seus trabalhos num post-mortem, porque acreditam que assim asseguram a contribuição feita à história da arte.

Essa é uma das finalidades que perseguem os artistas e os fazem viver 24 por 7, não é à toa que o artista Maxwell Alexandre fundou, junto com dois amigos artistas, a Igreja do Reino da Arte ou A Noiva, igreja criada no Rio de Janeiro, que promove cultos para a adoração à altíssima arte.
Há por toda à parte, altares em homenagem aos artistas que figuram no Olimpo da sacação, de ter acertado a próxima cereja do bolo do mercado e incidiram sobre os desdobramentos da matéria.
Um lugar de culto que te ensina tudo sobre arte contemporânea é o Parque Lage. Nem São Paulo tem um lugar assim… Naquela organização farmacêutica, celeiro de ideias e forças, tem todas as poções para curar males, inventar outros, as discussões são apaixonadas, forjam novos lugares e há antena para capturar o circuito brasileiro e internacional.
Os transeuntes que vão tirar foto com a paisagem do Cristo atrás deles não têm a menor ideia do que aquele espaço produz, constitui, abstrai, representa e faz a diferençano campo ampliado da arte.
ALINE REIS | 5 março 2024


