
Quem consegue ser contra o paradigma dominante?
A sedimentação do paradigma dominante faz com que tudo gire em torno dele. Aqui digo Arte, mas essa discussão é muito mais celebrada na ciência. Há inclusive critérios x, y e z a serem relacionados no julgamento, celebrados sempre na mesma perspectiva. Se houver disputa ou tentativa de mudança, muitos gritam, as palavras que saem são as mais diversas: preconceito, loucura, entre outras, com a particularidade que os xingamentos e os protestos são ditos num linguajar histórico.

Muitos que não estão nas discussões de campo se perdem e já possuem na ponta da língua um palavreado pronto e um discurso idem: sociedade híbrida, globalização, “precisa fazer vestibular para entender”, confuso, difuso, ininteligível. Assim o é para quem não domina as premissas e nunca estudou sobre. Todo campo é assim e possui divergências teóricas que o fazem um manual a ser lido por poucos iniciados.
A força para derrubar um paradigma dominante é conjuntural, há toda uma coletividade que está convencida e um algo a mais que não aparece no horizonte, mas que faz surtir o efeito desejado de estopim e daí por diante, a coisa anda. Impossível prever. Já escrevi sobre isso. Riscar o fósforo sozinha é se queimar nos ardis das paixões do acho isso ou acho aquilo.
Hoje a coluna fala da coragem de estar na contramão, ser malvista, de não ter onde ancorar as ideias por conta de que há regras a serem respeitadas e indivíduos que dominam de tal jeito o circuito que o xixi feito ao redor das palavras, dos conceitos e das narrativas escorre por todo o lado.
São como cachorros que cercam as próprias experiências cerceando as dos outros. Os títulos das exposições exemplificam isso. Acertar é canino. Domar a fina sintonia do vocabulário é imperativo.
ALINE REIS | 26 dezembro 2023


