FELIPE YUNG COMPLETA TRÊS DÉCADAS DE CARREIRA COM INSTALAÇÃO INÉDITA QUE MARCA OS 80 ANOS DO PALÁCIO QUITANDINHA

Salão Mauá recebe água-viva flutuante gigante, marca registrada do artista, e ganha cenário inspirado em Santa Rosa; cúpula do antigo cassino é a segunda maior do mundo, equiparável ao Vaticano

Obra final: água-viva de oito metros é experiência sensorial e audiovisual e pode ser visitada no Salão Mauá, no Palácio Quitandinha, em Petrópolis. Créditos: Chussei Jukemura

Considerado como o detentor da segunda maior cúpula do mundo – perdendo por pouco para a da Catedral de São Pedro, no Vaticano – o Salão Mauá, que outrora abrigou o luxuoso cassino do Palácio Quitandinha, em Petrópolis, vai ganhar uma instalação artística inspirada nas pinturas de Santa Rosa, artista homenageado na ocupação. Pelas mãos de Felipe Yung, o Flip, o espaço exibirá o resultado dos estudos e influências de forma contemporânea, usando a água-viva, icônico personagem do artista. E desta vez, ao invés de retratá-la em pinturas, Flip marcará seus 30 anos de carreira fazendo sua maior instalação física:  uma escultura inflável da água-viva, de oito metros de altura e com luzes LED. A obra integra a ocupação do Centro Cultural Sesc Quitandinha “Da Kutanda ao Quitandinha”, que marca os 80 anos do icônico palácio, em Petrópolis.  

Visitar a obra presencialmente é uma experiência completamente diferente do que olhar apenas uma imagem. É algo impactante e até mesmo chocante. Primeiro porque o visitante já entra em um palácio imponente como o Quitandinha e depois ao se dirigir ao Salão Mauá, a pessoa encontra uma obra gigante, com luzes LED, uma música que remete ao mar e um ambiente escuro, assim como o fundo do oceano. “Só mesmo conferindo a arte dá para saber o impacto que ela nos proporciona, é difícil explicar a sensação”, conta Flip. 

Felipe Yung, o Flip, tem pinturas espalhadas por vários países; no Salão Mauá, instalação pode ser vista até o dia 25 de fevereiro. Créditos: Chussei Jukemura

Flip nutre uma fascinação por águas-vivas, que se tornaram uma linguagem importante em sua trajetória artística. Essas criaturas aquáticas, símbolo de movimento incessante, personificam a alma inquieta do artista, cujo os pincéis e sprays nunca repousam. De São Paulo ao Japão, passando pelo Oriente Médio, como as águas-vivas que flutuam livres no ritmo dos mares, Flip  deixa sua marca e traços únicos por onde passa.

“Além de estético e fascinante, o animal e sua presença em massa no universo marinho servem como um alerta de desequilíbrio e desarmonia.  Pensei na instalação como uma forma de levar a reflexão sobre as presenças que eventualmente são um incômodo em nossa sociedade, valorizar a convivência, exercitar a tolerância, trazer o acolhimento e aceitação de uma forma multicolorida e lúdica”, explica Flip. A ideia de dar outras formas às suas pinturas vem da paternidade. Felipe Yung se inspirou em seu filho Bento, diagnosticado dentro do TEA (Transtorno do Espectro do Autista), com quem estabeleceu forte conexão através da arte, das cores e das formas. Por isso, para garantir acessibilidade e inclusão no Salão Mauá, a obra ganhará uma versão tátil, criada especialmente para pessoas que necessitam de uma experiência mais lúdica e sensível ao mundo da arte.

Para Marcelo Campos, responsável pela curadoria geral da ocupação, a instalação de Flip traz ao Quitandinha uma nova forma de interação. “É como seguir adiante, renovar… Trazer para os salões uma obra inflável do artista Flip, que promove a interatividade com o público, é estabelecer um diálogo pensado especificamente para os salões do palacete-mocambo”, afirma. Para o Palácio Quitandinha não é novidade ter em seus cômodos temas marinhos. A piscina do ex-cassino, icônica com seu formato de piano de cauda, recebeu pinturas feitas pelo artista Santa Rosa, inspiradas na obra “20.000 léguas submarinas”, de Júlio Verne. O Sesc precisou encomendar azulejos vitrificados para proteger o ambiente, já que os originais não são mais fabricados.

Flip e sua marca registrada: a água-viva. Créditos: Chussei Jukemura

Em 1944, um ano antes de ser decretado o fim da 2a Guerra Mundial, o hotel-cassino Quitandinha abria suas portas. Foi palco, pouco tempo depois, da Conferência Interamericana que seguia os interesses dos países em criar autodefesa em tratados selados por reuniões iniciadas em outros países, ainda no fim do século 19. Com isso, além das presenças ilustres, como de Walt Disney e atores e atrizes hollywoodianos, “os salões do Quitandinha, ao longo desses 80 anos, foram, também, redutos da utopia pela paz mundial, frequentados por artistas visuais que realizavam missões diplomáticas, por representantes dos movimentos étnico-raciais, por presidentes e embaixadores”, relembra Marcelo Campos.

A ocupação começa dia 1º de Dezembro e segue com programação diversa até 25 de fevereiro de 2024. 

As águas-vivas de Flip: abordagem em diversos formatos e mídias
Sobre Felipe Yung
Felipe Yung é um artista que fez seu nome nas ruas, onde é mais conhecido como “Flip”. Mestre dos sprays e canetões, ele coloriu e rabiscou São Paulo por anos, aperfeiçoando sua caligrafia nos muros da cidade, como reza a tradição do graffiti. Mas Flip também foi
um dos pioneiros no Brasil a quebrar essa tradição e pintar personagens soltos pela metrópole, seres gigantescos ou pequenos e numerosos, geralmente com cores vivas. Suas influências são Cultura Urbana e Design (arte, moda e música) , Árvores nativas,
Fetiches, Camuflagem e Caligrafia Japonesa (Shodo) e Urbana (tags e pixação), assim como Xilogravuras (Ukiyo-e).

Essa mistura de influências traduziu-se em uma originalidade que garantiu a Flip ter reconhecimento no cenário nacional e internacional, transitando entre o underground, mainstream e mercado de luxo. Em 30 anos de carreira, já trabalhou com Marcelo D2, Nike, Adidas e Puma. É considerado o “queridinho” dos chefs, tendo como clientes Janaina Torres Rueda, Jefferson Rueda, Alex Atala e a rede internacional Sushi Samba.
Suas artes podem ser conferidas em galerias e ruas de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Madrid, Barcelona, Los Angeles, New York, Moscou, Londres, Paris, Líbano, Osaka e Tokyo.

Veja o CV e o portfólio completos.

Ficha Técnica
- Felipe Yung - Criação e Conceito.
- Chussei Jukemura - video / drone
- Makoto Oiwa - áudio / trilha sonora
- Carlos Delfino - projeto e coordenação geral
- Juan Cusicanki - montagem, corte e costura
- Evelin Zapata - costura
- Moisés Cusicanqui - corte e costura
- Ernane Cruz - assistência geral
- André Barbato - Model 3D
- Ricardo Argenton - escultura 3D
- Joyce Mescolotte - Estrategia / AI concept
- Daniel P.Led - técnico de iluminação
- Anderson Trindade - assistente de iluminação
- Paulo KatEletronicS - engenharia / Luz
- André Barbato - Model 3D
- Juliana Gattone - assessoria de imprensa
- Gabriella Moura - assessoria de imprensa
Ocupação Centro Cultural Sesc Quitandinha “Da Kutanda ao Quitandinha"
Palácio Quitandinha - Av. Joaquim Rolla, 2 - Quitandinha, Petrópolis - RJ
1º de Dezembro de 2023 a 25 de fevereiro de 2024
Salão Mauá - Felipe Yung FLIP, "Siga Flutuando" - instalação com escultura inflável e luzes LED ( Aprox 7 x 8 m ) 2023


Informações à imprensa
Gabriella Moura - (11) 95346.5366
Juliana Gattone - (11) 94544.5459