Conheça as novas aquisições do Museu Nacional de Belas Artes que vem acentuar a presença da matriz africana e afro-religiosa no acervo museológico da instituição.

Em 2023 o Museu Nacional de Belas Artes recebeu, em doação, a coleção de Arte Afro-Brasileira do jornalista, museólogo e historiador da Arte Mario Barata.

A aquisição vem dialogar com outras coleções do MNBA como a de Arte Popular e de Arte Africana, ambas adquiridas em 1963, que mostram a diversidade de formas e sujeitos artísticos possíveis num espaço de guarda do Patrimônio Artístico representativo da sociedade brasileira.

“preciso traçar as biografias do colecionador, da coleção e das exposições criadas a partir dela, para entendermos os deslocamentos desses objetos que acabaram reunidos de acordo com uma lógica definida e com as motivações do colecionador, formando um mundo à parte, através do qual ele busca sua inserção na vida pública por meio de sua musealização”.

Nesse sentido, o que deve ser destacado da atuação profissional de Mário Barata?

Mario Barata
Nascido em 1921, filho do jornalista paraense Hamilton Barata e da costureira Portuguesa Maria Augusta Barata. Aos dezesseis anos começou a trabalhar no jornal O Homem Livre, do pai.

Posteriormente, ingressou no curso de Museologia do Museu Histórico Nacional, formando-se em 1940. Foi um dos fundadores do Conselho Internacional de Museus, em 1946.

Tendo acompanhado a perseguição aos objetos de culto afro-brasileiros realizada na primeira metade do século XX, o jornalista Barata escreve, aos vinte anos de idade, a reportagem Arte Negra na Revista da Semana, publicada em maio de 1941.

Nesta reportagem afirma:

“Sempre foi curiosa e digna de ser estudada a produção artística do africano e seus descendentes diretos no Brasil”.

Nesse sentido, os pesquisadores Roberto Conduru e Eloisa Sousa apontam que Mario Barata foi um dos primeiros autores a classificar os objetos de matriz afro-brasileira como Arte.

“No Brasil, como dissemos acima, a arte dos negros aparece acima de tudo na sua religião. Na África, todavia, ela é uma das mais ricas e fecundas do universo. É que em nossa terra o negro não pôde e não necessitou expandir integralmente sua capacidade artística a não ser num setor, que foi justamente o da religião, que não somente não desapareceu como ficou com sua função social ainda maior na nova Pátria”.