Diferenças

Diferenças podem significar pequenos elementos numtrabalho de arte,a marcha do processo, a ordem das coisas no ateliê que projeta sua sombra na exposição ou as ideias que vem e vão como que marcadas por um sinal indelével.

Ocupa-se o critico, o curador ou quem possa interessar sobre o assunto essa palavra\conceito com igual ardor dos artistas.

Ir aos ateliês conversar com eles produz a sinergia do encontro.

Recentemente conversei com uma artista estrangeira que está no Brasil há pouco tempo e falávamos a mesma linguagem, então antes mesmo que ela terminasse a frase eu já sabia o que ela estava a dizer. O mesmo campo produz essa possibilidade.

Podemos produzir diferenças significativas na exposição quando aliamos propostas visuais como cores e formas ou teóricas como pensamento decolonial e antropoceno ou mesmo riscar o fósforo da diferença colocando na diagonal o enlace de todas as coisas. Explico. Nem sempre a diferença é ao contrário.

Produzir diferença é esbarrar em singularidades no trabalho de arte, na visão do artista sobre arte, na construção do processo em si.

Lembro do artista icônico como Tunga e a biblioteca imagétca e mítca do pai, um quê dos incorporais na descoberta da pintura de Pollock, um teto histórico descolonial, o olhar para si das mulheres feministas: Simone, Hooks, Vergès. Se é possível singularizar-se nesse mundo capitolocêntrico, aí é uma discussão que geralmente é feita pelos machos universais que renegam esse lugar prá gente.

Na sociedade brasileira colonizada, os lugares já dados constituem artistas, críticos, curadores, políticos, universais que são os p.das galáxias, o que

cobram mais, os que têm a última palavra sobre o assunto, ocupando o Olimpo dos deuses. Triste não ouvir a todos em igual proporção. Tenta-se furar isso hoje, mas nunca em pé de igualdade com todos. Cria-se pequenos grupos aptos e os demais são alijados do pensar, do agir e de se auto determinar-se como é próprio ao singularizar-se.

ALINE REIS | 9 abril 2024