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PARA UNS A CACHAÇA, PARA OUTROS A RELIGIÃO…E AINDA HÁ A TRANSCENDÊNCIA DA ARTE! | Recortes entre a Filosofia e Arte Contemporânea

Para uns a cachaça, para outros a religião… e ainda há a transcendência da arte!  

​Uma semana de reflexões girando em torno da transcendência da Arte Contemporânea, do diálogo (direto?) entre as várias artes, da recepção do leigo e dequem entende mesmo, porque estuda, ou é artista ou orbita muito próximo do campo. A frase do samba é sensacional, aficionados que o digam, transcendem mundanamente os primeiros, os segundos estão na esteira teológica, famintos da palavra e da oração, somente no locus certos se sentem inteiros. Aliás a inteireza é muito próxima do absoluto.  

Mas, para quem vive das artes visuais (aqui nosso escopo) 24 horas, a transcendência se dá no trabalho: o processo do fazer, a escolha espacial das obras, o diálogo entre dois trabalhos na coletiva, os papos de ateliê com os pares que por si só basta… Não falei futebol ou qualquer outro, de propósito, devido ao fato de que não são campos das minhas experiências habituais.

​Em duas ocasiões pude assistir trabalhos que postulavam relacionar linguagensdistintas num desejo imenso de fazer elos entre matérias não compatíveis de serem colocadas uma ao lado da outra ou mesmo dentro, como um namorado e uma namorada, entre duas pessoas. Ambas as artes, não possem o mesmo léxico que as envolvesse num terceiro campo.

Nas quinas entre as coisas da arte vige continuidades que Lygia Clark viu muito bem, cabe então as buscas fecundas de um quase lá que se dá entre uma arte e outra. É contemporânea a articulação, ainda mais povoada pelo excesso de produto midiático das redes sociais. Muito bom estar num momento da vida que os trinta anos de leitura e visitação são repertório para curadorias e conversas entre os artistas colegas. O namoro recente com a ópera… que maravilha escutar Kristine Opolais no Municipal!

ALINE REIS | 22 novembro 2023


https://galeria-atelierflorymenezes.com/2022/08/29/exposicao-atual/
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